quarta-feira, 21 de março de 2007

Crianças Invisíveis


...Sei que já faz tempo que não passo por aqui, mas verdadeiramente meu tempo não me tem deixado escrever. Hoje, passo para colocar aqui uma "crítica" (se assim dá para ser chamada) sobre o filme Crianças Invisíveis. Como não sou boa em crítica cinematográfica, estou fazendo uma cópia de um texto que foi publicado no site do UOL, em 30 de marça de 2006, época que o filme foi apresentado em nossas telinhas cinematográficas. Para os que ficarem com interesse de assistir, eles já está em DVD. Nas locadoras que eu fui, todas já tinham o filme, então é certo que a pertinho da sua casa também o tem.



" "Crianças Invisíveis" é filme coletivo internacional, com Spike Lee e Kátia Lund

SÃO PAULO (Reuters) - A dramática situação das crianças no mundo foi o motivo do esforço dos produtores italianos Chiara Tilesi e Stefano Veneruso para montar "Crianças Invisíveis", projeto cinematográfico coletivo, assinado por oito diretores, incluindo uma brasileira, Kátia Lund.

Lund, co-diretora de "Cidade de Deus", de Fernando Meirelles, dirigiu "Bilu & João", filmado nas ruas de São Paulo.

De todos os segmentos, este é talvez o que consegue imprimir mais doçura, mantendo aberta uma janela de esperança para os dois pré-adolescentes interpretados por Vera Fernandes e Francisco Anawake, que sobrevivem de um duro trabalho -- catar nas ruas restos de papelão e metal.

Sem pieguice, a brasileira firma um dos traços marcantes deste trabalho coletivo -- crianças são crianças e mantêm uma inabalável disposição para sonhar e resistir, por mais que as condições em torno delas sejam tantas vezes quase insuportáveis.

Com realismo, porém, o episódio delineia um quadro de pobreza urbana em que existem ainda muitas formas de intervenção possíveis.

Os demais segmentos do longa-metragem trazem também a marca de seus realizadores. Fazendo jus à sua fama de polêmico, o diretor norte-americano Spike Lee assina um dos mais contundentes, "Jesus Children of America".

A protagonista é Blanca (Hannah Hodson), de 13 anos, que é lançada dentro de um verdadeiro pesadelo devido ao fato de ser portadora do vírus HIV. Por conta disso, é discriminada na escola, chamada de "AIDS baby". Político como sempre, o diretor retrata o personagem do pai da menina como um veterano da Guerra do Golfo que se tornou viciado em heroína e, por isso, contraiu a doença.

Uma família disfuncional persegue o protagonista do episódio "Ciro", do italiano Stefano Veneruso (um dos produtores). Ciro (Daniele Vicorito) é um adolescente que deixou para trás pais negligentes e passou a sustentar-se através do roubo nas perigosas ruas de Nápoles.

O universo de menores infratores figura igualmente no ambiente de "Blue Gypsy", do diretor bósnio Emir Kusturica. Atenuando o estereótipo de tantas histórias sombrias no cenário dos reformatórios, Kusturica inventa um protagonista, o menino Uros (Uros Milovanovich), que não quer sair dali, pois sente-se curiosamente protegido nesta situação. Fora de seus muros, sabe que o pai o forçará novamente a roubar.

Muito mais drástica é a situação dos garotos do episódio "Tanza", o único ambientado na África, e dirigido pelo argelino Mehdi Charef.

Ele opta por um registro naturalista e, sem identificar o país, constrói uma história dolorosamente comum aos quatro cantos do continente africano, onde guerras civis colocam armas nas mãos de milícias juvenis. No cabo da metralhadora de um destes meninos, vê-se um adesivo com o rosto de Ronaldo, o fenômeno do futebol brasileiro.

Num tom inteiramente distinto de seu estilo, o famoso diretor de filmes de ação chinês John Woo assina o episódio "Son Son & Little Mão". Filmada na China, a história expõe a aguda diferença social entre duas garotinhas da mesma idade, uma rica e outra órfã, vendedora de flores nos faróis de uma metrópole.

O episódio mais atípico é "Jonathan", dos ingleses Jordan Scott e Ridley Scott (ela, filha do famoso diretor Ridley). Um fotógrafo de guerra (David Thewlis) vive assombrado pelo horror das situações que retratou em conflitos e encontra a salvação de sua alma numa fantasia em que revisita a si mesmo quando menino. Um sentimento que poderá, afinal, contagiar os espectadores deste filme delicado e fundamental.

O longa recebeu o apoio da atriz Maria Grazia Cucinota (a musa de "O Carteiro e o Poeta") e da UNICEF e WFP (World Food Program). A renda do filme será revertida em favor destas duas organizações, ligadas à Organização das Nações Unidas (ONU). O longa estréia em todo país nesta sexta-feira, em cerca de 20 cópias. "

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb)

http://cinema.uol.com.br/ultnot/2006/03/30/ult26u21237.jhtm



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